Memórias de um horizonte aberto…
Nascido em Moçambique em 1955, cresci entre savanas, rios e horizontes abertos, num mundo onde a natureza falava mais alto do que o ruído das cidades. Muito antes da fotografia se tornar profissão, já era para mim uma forma de olhar, uma maneira de observar silenciosamente pessoas, paisagens e pequenos detalhes que outros pareciam não ver.
Esta imagem foi captada em Lisboa, em 1979, três anos depois do meu regresso de África. Tinha vinte e quatro anos, uma amada Nikon FM ao peito e a sensação estranha de quem chega a uma geografia nova sem deixar verdadeiramente para trás a terra onde aprendeu a escutar o mundo. Atrás de mim estão as docas de Lisboa; lugar de partidas e chegadas, mas dentro de mim ainda existiam os caminhos de terra vermelha, o cheiro da chuva tropical e a liberdade dos grandes espaços africanos.
Talvez por isso a fotografia nunca tenha sido para mim apenas uma questão de técnica. Sempre foi procura de luz, de verdade, de pertença e de memória.
Ao longo das últimas cinco décadas, entre viagens, natureza, América Latina e observação da vida selvagem, continuei a fotografar da mesma forma que comecei: com curiosidade, respeito e uma certa inquietação tranquila perante o mundo.
Cedo aprendi que a sensibilidade não tem geografia, mas tenho para mim como certeza que as nossas raízes jamais nos abandonam, e ser filho do mato africano continua a marcar a minha forma de ser, estar e observar o mundo. 🍀
Viajemos juntos…
África, a Península Ibérica e a América Latina - o fraterno "Triângulo do Mar" criado pelas navegações do passado - é o espaço geográfico onde sempre me movi. Se alguma imagem, texto ou viagem te trouxe até aqui, será um prazer receber uma mensagem tua. Vemo-nos no caminho, nalguma esquina deste pequeno mundo. 🌎
ES
Nos veremos en el camino, en alguna esquina de este pequeño mundo.
EN
We shall meet somewhere along the road, in some corner of this small world.